Será que episiotomia é realmente necessária?

Olá vamos falar um pouco sobre episiotomia e laceração natural?

O principal objetivo aqui é que você e seu/sua acompanhante entendam as diferenças entre um e outro, assim como entendam também que a episiotomia é uma intervenção que não tem justificativa para ser feita (se formos tomar como base a medicina baseada em evidências).

O outro objetivo é que você gestante não se preocupe caso ocorra uma laceração natural e entenda que a maioria das mulheres irão passar pela experiência de parto sem nenhuma laceração.

Abaixo um estudo retirado do site: Estuda Melânia, estuda. Caso queira aprofundar no estudo e em outras informações Clique Aqui

Entendendo a laceração natural e episiotomia

Em alguns casos durante o parto vaginal, pode ocorrer a laceração perineal de forma natural. A grande e importante diferença e que gera muitas diferenças na recuperação, saúde e bem-estar da mulher é como esse evento ocorre se olharmos para as fibras musculares.

O melhor paralelo para entender o que ocorre naturalmente é imaginar um elástico de cabelo que se esticou muito e se rompe. Se formos observar as fibras, elas se romperam ao longo da direção delas (sabe quando você vê um monte de pontinhas levantadas como se tivessem um monte de pequenos elásticos rompidos?! Então é isso!). O mesmo ocorre no caso de uma laceração natural do períneo, as fibras musculares (quando chega nelas) se rompem na mesma direção de crescimento delas, e essa característica facilita muito a reconstituição natural após ocorrer uma laceração.

Como ocorre a laceração no parto?

Com a descida do bebê, a vagina e o períneo se ajustam para acomodar o bebê que está cada vez mais baixo. Até que chega o momento em que o bebê, pela contração do útero e pela força que a mulher faz, sai da vagina e nasce!

A passagem do bebê pela vagina, em sua saída, pode deixar algum corte no caminho, pois o tecido se esticou a ponto de se separar.

Tipos de lacerações

Após o parto e nascimento da placenta, a integridade do períneo será avaliada – ele pode estar íntegro ou lacerado. A laceração espontânea é irregular (não é uma linha reta), sangra pouco, logo para de sangrar e sua extensão varia, sendo medida em graus.

  • Laceração de 1º grau: é superficial e, apesar dela, muitas vezes não necessita de pontos, pois cicatriza sozinha;
  • Laceração de 2º grau: é um pouco mais profunda, acometendo parte de tecido muscular, e normalmente precisa dar ponto para ajudar na cicatrização;
  • Lacerações de 3º e 4º graus: são lesões que caminham em direção ao ânus, acometendo esfíncter e mucosa anal, respectivamente. A aproximação é realizada com pontos por um profissional capacitado, com cuidado rigoroso no pós-parto.

Agora peço para você dar uma pausa e voltar lá naquela primeira imagem! Entenda bem aqueles números, eles são muito significativos. Em 13 anos de profissão e em 450 partos a Dr Melania não precisou fazer nem uma episiotomia! Quase 60% das mulheres tiveram com seus períneos íntegros!

Diferente da laceração natural, na episiotomia as fibras são cortadas na perpendicular, fazendo com que a cicatrização seja diferente da que ocorre naturalmente e acarretando diversas dificuldades para a vida sexual da mulher. Hoje especialistas como fisioterapeutas pélvicas explicam sobre os efeitos deletérios de uma episiotomia na vida da mulher, como questões graves no funcionamento da musculatura do assoalho pélvico, dor nas relações sexuais, infecções, incontinência urinária e fecal, entre outras.

Além disso, precisamos entender que a episiotomia já equivale a uma laceração de 2º grau e, estatisticamente, o mais comum é não ocorrer laceração ou ela ser de primeiro grau.

Conclusões e Sugestões de links

A episiotomia é uma intervenção que não se comprova o benefício e ao contrário, as consequências negativas são realmente comprovadas.

A episiotomia pode ser considerada uma violação dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher, assim como uma violência de gênero, pois pode afetar seu emocional e suas relações sexuais, além de ser considerada violência obstétrica.

Então o que fazer para colaborar com seu períneo e aumentar as chances de mantê-lo íntegro durante meu parto?

  • Massagem perineal (ainda não existem estudos suficientes que comprovem a real eficácia da massagem perineal nas lacerações naturais. No entanto, a massagem perineal feita pela própria gestante é uma excelente forma de contato com o próprio corpo, de se autoconhecer e ganhar consciência corporal)
  • Conhecimento do seu próprio corpo (consciência corporal é fundamental, sentir seu períneo e entender como ele funciona, para que na hora do expulsivo mesmo seu corpo fazendo força você possa relaxar o períneo para a passagem do seu bebê. Quanto mais relaxada, física, mentalmente e emocionalmente, mais seu períneo estará relaxado.
  • Vocalização durante o parto. A vocalização durante o expulsivo e, também, o relaxamento da mandíbula e maxilar, ajudam ao períneo a relaxar durante a fase expulsiva, portanto se sentir necessidade de vocalizar atenda ao seu corpo!

Em caso de laceração natural o que faço?

Primeiro sempre siga as orientações do seu/sua ginecologista obstetra ou da sua equipe de assistência obstétrica. Procure acompanhamento de uma fisioterapeuta pélvica se possível. Ela poderá avaliar seu períneo, te apoiar com exercícios para mobilização da cicatriz e também exercícios para organizar o funcionamento da musculatura pélvica.

Em casa você pode recorrer a compressas geladas, cuidando para não queimar a pele! Por isso não coloque gelo, nem gelox diretamente na laceração.

Um dos recursos que podemos usar para ajudar a desinchar e trazer um alívio para o desconforto na região é o absorvente embebecido num chá de ervas.

Algumas ervas tem efeitos bem específicos para esse uso:

  • Camomila – além de ser um calmante para esse períneo que está sensível, a camomila ajuda a recuperar o PH e tem ação antiinflamatória;
  • Lavanda – tem ação analgésica, antiinflamatória, antifúngica e antibacteriana;
  • Casca de Barbatimão – é antibacteriano, antisséptico, anti hemorrágico.
  • Arnica – antinflamatória, calmante da pele, ótima para pós cirúrgico ou recuperação de contusões, alivia o inchaço, antibacteriana, analgésica
  • Calêndula – bactericida, antiinflamatória, cicatrizante, antisséptica.
  • Hamamélis – antiinflamatória, adstringente, calmante, analgésica, excelente também para hemorróidas.

O modo de preparar é bem simples: coloca a água pra ferver para casca deixar a água ferver com elas por 5 minutos. Para as folhas e flores, desligar o fogo colocar as ervas e abafar com 10 min. Deixe esfriar e coloque pequenas quantidades no absorvente e leve ao congelador. Em uma hora ele já está pronto pra ser usado. Cuidado para não encharcar o absorvente, pois ele precisa de espaço para absorver o sagramento pós-parto.

O chá agirá com suas propriedades e o gelo ajudará no inchaço e como uma forma de analgesia.

Antes de usar, sempre converse com sua equipe médica!

Outra fonte:

Leitura complementar sobre massagem perineal

http://scielo.isciii.es/pdf/eg/v16n47/pt_1695-6141-eg-16-47-00539.pdf

Publicado dia 18/05/2023

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